ANVISA autoriza estudo clínico de fase 1 com Polilaminina no Brasil

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ANVISA autoriza estudo clínico de fase 1 com Polilaminina no Brasil

Estudo de fase inicial marca avanço regulatório para biomaterial voltado ao tratamento de trauma raquimedular agudo.

Artigo escrito por: Daniela Costa

O início de 2026 traz uma notícia relevante para o campo da ciência biomédica e da inovação em saúde no Brasil. Em 05 de janeiro de 2026, conforme publicação oficial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), foi autorizado o início de um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina em humanos, no contexto de uma pesquisa clínica conduzida sob a regulação sanitária brasileira.

A autorização marca um avanço importante no processo de translação do conhecimento científico para a aplicação clínica, evidenciando o papel central da avaliação regulatória baseada em evidências para que novas tecnologias avancem de forma responsável, ética e alinhada às Boas Práticas Clínicas.

O que é a polilaminina

A polilaminina é um biomaterial obtido a partir da laminina, uma proteína naturalmente presente na matriz extracelular, envolvida em processos fundamentais como adesão celular, organização tecidual, sinalização celular e regeneração. No estudo clínico autorizado, será utilizada laminina extraída de placenta humana, que passa por um processo de polimerização controlada, originando a polilaminina.

Essa formulação é preparada como solução injetável, destinada à aplicação intramedular única, diretamente na região lesionada da medula espinhal, dentro de um contexto clínico rigorosamente monitorado.

Como a polilaminina atua no contexto da regeneração neural

Do ponto de vista estrutural e funcional, a polilaminina corresponde à forma polimerizada da laminina, o que confere à molécula propriedades biológicas distintas em relação à sua forma não polimerizada. O processo de polimerização resulta na formação de uma estrutura tridimensional organizada, capaz de modificar a interação da proteína com o microambiente tecidual.

Essa organização tridimensional permite que a polilaminina atue como um andaime molecular, oferecendo suporte físico e bioquímico para a adesão celular e para a orientação do crescimento de neuritos. Em modelos experimentais, essa matriz organizada tem sido associada à criação de um ambiente mais favorável à extensão axonal e à reorganização do tecido neural em áreas lesionadas, o que sustenta seu interesse científico no contexto de lesões da medula espinhal.

Delineamento do estudo clínico autorizado

O estudo clínico de fase 1 autorizado pela ANVISA tem como objetivo principal a avaliação da segurança da aplicação da polilaminina. A pesquisa será conduzida com um grupo reduzido de participantes, com idades entre 18 e 72 anos, que apresentam lesões traumáticas agudas completas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica.

Como é característico de estudos de fase inicial, o foco não está na avaliação de eficácia terapêutica, mas na identificação de riscos potenciais, eventos adversos e viabilidade clínica, além do monitoramento rigoroso da resposta dos participantes ao procedimento.

Da pesquisa pré-clínica à avaliação regulatória

A autorização desse estudo clínico indica que a tecnologia percorreu etapas fundamentais de validação científica, incluindo ensaios pré-clínicos, testes de bancada, ensaios in vitro, cultura de células e modelos experimentais. Essas etapas são essenciais para compreender interações biológicas, avaliar segurança e gerar hipóteses fundamentadas antes da exposição em humanos.

O estudo clínico tem como patrocinadora a empresa Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda., uma indústria farmacêutica brasileira com atuação consolidada em pesquisa, desenvolvimento e inovação. A participação da Cristália evidencia a integração entre ciência acadêmica, desenvolvimento tecnológico e avaliação regulatória, etapa indispensável para que descobertas biomédicas avancem de forma estruturada rumo à aplicação clínica.

Ciência regulada como base da inovação em saúde

A atuação da ANVISA ao longo desse processo reforça o papel da regulação baseada em evidências, garantindo que tecnologias inovadoras avancem de forma responsável, ética e alinhada às Boas Práticas Clínicas (BPC). Esse percurso evidencia a maturidade da ciência desenvolvida no Brasil e a importância de dados robustos, rastreáveis e tecnicamente consistentes ao longo de toda a cadeia de inovação.

A autorização do estudo clínico com polilaminina destaca, portanto, não apenas o potencial científico desse biomaterial, mas também a relevância das boas práticas laboratoriais e da avaliação regulatória criteriosa para transformar conhecimento biomédico em inovação com impacto real em saúde.

Fonte:
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Anvisa autoriza pesquisa clínica para avaliar a segurança do uso de polilaminina em humanos. Brasília, DF, 5 jan. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-autoriza-pesquisa-clinica-para-avaliar-a-seguranca-do-uso-de-polilaminina-em-humanos

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